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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Death Note e um papo sobre a indústria do anime

review das 2 temporadas do anime e polêmica -


Algumas pessoas sabem que eu tenho uma espécia de birra com animes, não que eu não goste do estilo de traço japonês(embora tenho um pouco com o estilo de animação, principalmente animes que o forçam para economizar desnecessariamente em movimentos, caso explícito de Naruto), claro que não, inclusive tenho alguns mangás e vários animes gravados, o que me irrita é a pasteurização dos produtos orientais que são justamente os que fazem sucesso e são populares ultimamente.

Quase tudo tem o mesmo pano de fundo, os mesmo clichês de sempre e são exatamente estes produtos que fazem sucesso imediato por causa da "cultura otaku".


Hayao Miyazaki, diretor de clássicos como Princesa Mononoke


Hayao Miyazaki(repito o que já disse aqui no blog, um dos maiores cineastas da história) certa vez(se não me engano em seu discurso ao receber o Urso de Ouro por A Viagem de Chihiro) disse que o anime está morrendo, que os personagens não tem profundidade e estão sempre em busca de um bem material.

Não sou tão rígido nesse ponto quando o velho, mas de certa forma achei interessante muitas das colocações.

Repare que os animes populares, em sua maioria tem sempre aquele mesmo pano de fundo, com personagem principal que quer se mostrar melhor que os demais(você pode defender o lado do personagem de N formas, mas "por cima" será isso mesmo), que está sempre em busca de um bem material ou uma "condecoração" que o leve a este objetivo. Isto vai desde o pirata lá de One Piece que quer mandar nos 7 mares(desculpe se falei algo errado aqui, mas este anime eu não passei do primeiro episódio tamanha carga de clichê por segundo que senti naquela bagaça, isso a bastante tempo, mas como muita gente fala bem vou dar uma chance e tentar ver vários episódios), o Ikki de Medabots que quer ser o melhor medalutador do mundo, Naruto que quer ser o maior ninja da aldeia(já pelo figurino começou mal.. xD), Ash que quer ter todos os pokémons(forçei nesse?).. enfim.. não é difícil contabilizar os exemplos.


Vocês devem falar "então tu não entende nada de anime seu ba-baka", mas eu estou falando dos animes mainstream(pelo menos aqui no ocidente) que, queiram ou não, estão mais pra isso mesmo, claro, com algumas excessões, e sim, Death Note é uma delas e essa introdução pretenciosa é justamente pra começar a falar dele e seu inexplicável(superficialmente falando) grande sucesso, já que é um anime que foge bastante dos habituais clichês dos desenhos japoneses.




Death Note conta a história de Light(errôneamente geralmente chamado de Raito aqui no Brasil quando essa é simplismente a pronúncia errada dos japoneses do nome em inglês, mas sim, eu tambem peguei o hábito de falar Raito), aluno exemplar que está estudando para ser aceito na universidade Toudai no Japão, mas que demonstra total insatisfação com o mundo, ele no pátio do local onde estuda encontra um caderno preto escrito Death Note("caderno da morte") que dentro dele continha inumeras regras de uso, a primeira delas é "o humano que tiver seu nome escrito no death note morrerá.". Light à primeira vista acha aquilo uma piada mas com o passar do tempo comprova não só que o caderno assassino realmente funciona como tem contato com um shinigami (shinigami quer dizer "deus da morte", é o nome dado às entidades que cuidam de matar humanos) que passa a lhe falar mais sobre o caderno e o porquê dele se encontrar no mundo humano, Light então passa a demonstrar um grande interesse pelo caderno e em usá-lo a fim de alcansar seus ideais de mundo perfeito onde as "pessoas más" serão punidas com seu poder, posteriormente a polícia japonesa e um detetive de identidade desconhecida denominado L investigam as misteriosas mortes.


Vou falar apenas do anime já que não li todo o mangá(só tenho a primeira edição, mas pretendo comprar todos no futuro).

O anime me despertou curiosidade devido ao argumento inicial, mas logo depois de saber que foi feito pelo excelente estúdio Madhouse(responsável pelos longas animados de Satoshi Kon que eu adoro) eu não puxe deixar de conferir na mesma hora, outro ponto que favoreceu a minha expectativa por começar o anime é que ele ja se mostrou pequeno e fechado(com 37 episódios do anime divididos em apenas 2 temporadas e 12 edições do mangá), além do mais o estúdio Madhouse trabalha de forma completamente diferente do que eu cito quando falo da animação de Naruto, eles usam aquele estilo próprio dos animes, mas sem a pretensão de economizar na animação, animação aliás que eles fazem muito bem, mas uma vez, ao contrário de Naruto.

Claro, o fato já ocorreu faz tempo, mas agora quando começei a rever todos os episódios, pois meu irmão começou a acompanhar, me animei a escrever esta resenha.


Light ao lado do shinigami Ryuku

Death Note, por mais que possa parecer à primeira vista, não é uma história que quer focar no sobrenatural, a única coisa além do "domínio humano" presente no anime e que move a trama é a figura do death note, esta que por sua vez trouxe o shinigami Ryuku.

O ponto forte do desenho(outra coisa: porque que boa parte dos otakus se irritam quando dizem que os desenhos(animes) são desenhos!?) é a carga de "serialismo" presente na abordagem, a investigação é muito empolgante e é muito interessante saber que em apenas 2 episódios, o pontapé inicial da trama é criado com maestria.


Há uma diferença visível entre a primeira e a segunda temporada, a primeira foca mais no personagem principal, suas motivações e o começo de seu embate com o personagem denominado L, foca mais no conflito entre o que é certo e o que não é além de focar mais na trama em menos complexidade e mais voltada nos poucos e primeiros personagens, o espelho do estilo da primeira temporada está no clipe de introdução e no de encerramento da série.


clip de encerramento de cada episódio da 1° temporada de Death Note


Já na segunda temporada a coisa deu meio que uma despirocada, o anime ficou "mais otaku" e pop, focando muito em tiques de personagens e outros clichês dos animes, não só isso, o grande fato que faz a segunda temporada ser bem diferente da primeira é um mega spoiler que não ousaria nem insinuar como é(e aconselho a quem ainda não assistiu não ler certas tirinhas do interrogatório do Coringa que tem pela net), assim como a trama ter pego mais ação e ficado incrivelmente complexa e com mais personagens. As musicas de introdução e encerramento ilustram a mudança.

Não diria que Death Note fica ruim, só vai perdendo com o tempo o charme que toda a primeira temporada tinha, além do mais o final do anime realmente me decepcionou, é como se o criador perdesse todo o controle e quizesse terminar da forma mais curta possível, fechando a coisa em questão de história, mas não em questões ideológicas, além do mais o final ficou bem aberto, mas não de uma forma interessante, e sim de uma forma a não se comprometer com o escopo da história.

Além do mais o anime conseguiu jogar temas interessantes sobre moral e lei, mas ao mesmo tempo que os tratava de boa forma, por vezes também os tratava de forma simplória, além de principalmente no fim, não querer levar a nada e ainda jogar certas coisas como verdades absolutas, o anime caminhou na ambiguidade, mas por vários momentos e principalmente no fim jogou isso pro alto, como se a coisa fosse simplismente uma luta do bem contra o mal das mais simples.




No fundo ainda acho que a idéia do death note em si(o caderno que tem o poder de matar) é algo muito maneiro, e acho que teria como se fazer uma nova série onde a coisa tomassse um outro rumo, basta ver que o caderno tem várias regras sendo que metade delas não teve fator decisivo em nada do anime e essas regras poderiam ser exploradas em novas histórias, também não deixa de dar uma pulga atrás da orelha as menções a outros humanos que tiveram um death note, de acordo com o shinigami Ryuku.


Tenho visto comentários de que Death Note foi o principal anime/mangá que conseguiu uma legião de fãs que não eram "adeptos" ou pelo menos consumidores assíduos de produtos orientais deste tipo e pelo anime em si(principalmente no início) fica fácil descobrir o porque: Death Note é uma empolgante história de investigação que atrai devido a sua competência, qualquer pessoa que tenha o minimo de interesse e simpatia por este tipo de história certamente irá gostar, principalmente quem é fã e gosta muito de desenhos animados, principalmente japoneses.

 
 

5 comentários:

Pulga disse...

Hehe, pulga atrás da orelha.

Cara, ótimo texto sobre o anime. Assisti ano passado e achei muito foda. Não acho que a segunda temporada cai de nivel, apenas é o de se esperar após os acontecimentos do final da primeira temporada. E o final, bem, eu gostei, mesmo sendo o que já esperamos - acho.

Também não li o manga, mas não gosto dos quadrinhos japas, prefiro assistir aos animes mesmo, rs. Tem algumas coisas a mais sobre o L, mais detalhes mas se a trama e o final são o mesmo (são?) eu passo.

E sim, a questão do anime sobre moral e lei é muito foda. Mas é o que pode-se ver na serie [spoiler] o kira mata as pessoas que na sua visão merecem morrer, mas acaba matando inocentes - como o propio pai (ou estou errado?) [fim do spoiler]. É de certa forma uma abordagem mais "massa, véio" sobre a questão da pena da morte e outros.

Excelente post como sempre Jonathan, continue assim \o/

Jonathan Rodrigues (Conta do Orkut) disse...

dizem que o final do mangá essencialmente é o mesmo, mas que o plano final de N é mais elaborado e pra chegar no fim o caminho foi diferente.

Anônimo disse...

Só uma opinião sobre a implicancia com o nome adotado do original "Raito" ...

Chamar Raito de Light pode ser bem ruim.. pois temos uma empresa chamada Light e pelo fato de a maioria já saber o significado da palavra Light ...

David REX disse...

Anime EXCELENTE!!!

Anônimo disse...

L=Eru
Light=Raito

N existe o som de L no japonês. Então como diabos pode ser Light? --'

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