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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Um papo sobre a experiência do Cinema

e uma odisséia oscilante sobre a importância do prazer subjetivo


Aqui eu vou filosofar um bocado sobre as formas e modos de se aproveitar e destilar o que a 7° arte pode oferecer, mas de forma, pelo menos pra mim parece, bem diferente.


Eu quando estava assistindo a Kung Fu Panda(leia minha crítica aqui) com a minha mãe tive uma percepção, tipo, eu sempre sei que minha mãe é o tipo de publico que gosta de ficar falando enquanto assiste um filme e isso é uma coisa que às vezes irrita a mim e a meu irmão(que geralmente assiste aos filmes com ela), mas eu quando posso nunca perco a oportunidade de assistir a um filme mais família junto com ela.

Pois bem, nós começamos a ver Kung Fu Panda, em meia hora de filme minha mãe "abandonou" a sessão e foi dar uma colchilada e voltou no fim do filme durante a cena de luta em cima da ponte entre os 5 guerreiros e o vilão do filme, durante a luta minha mãe exclamou algumas vezes: "nossa, ele é muito forte" e pensando nisso, nesse pequeno momento, eu refleti.

Possivelmente minha mãe aproveita um filme bem mais do que eu, cinéfilo chato de detalhista, não querendo criticar minha visão e coisas que "considero" num filme, pois eu, vendo não só esta cena como várias outras anteriores, não percebi daquela forma, a partir do momento em que ela falou, como o personagem realmente era forte.




Pode parecer bobagem, mas pensem bem, ela de certa forma vive o filme, ela exclamar que o personagem é muito forte é sentir o que o filme inicialmente devia causar no expectador e às vezes eu(ou nós) não percebemos por estar preocupado com "a, a direção é preguiçosa, o diretor virou a câmera ali" ou "essa fala é uma solução fácil de roteiro", ou "essa luta foi desnecessária e não move a trama".

Tipo, pensem bem, eu não estou criticando este tipo de comentário, eles são válidos, só estou levantando a reflexão sobre o que é cinema e o que ele levanta nas pessoas EM GERAL.

Cinema é acima de tudo sensação, é por isso que certas pessoas não podem dizer porque De volta para o futuro é o melhor filme da história pra ela(pra mim é quase isso), é porque ela sente prazer naqueles quadros, naqueles acontecimentos, naqueles gestos, naquela história, naquele clima, naquelas sensações que o filme evoca e etc..

É algo não pode ser medido, é como a hipótese de existir vários filmes com a mesmas virtudes, mas a combinação de particularidades que você gosta neles fará sair desta inundação de filmes que você verá ao longo de sua vida um filme perfeito, que faz você assistí-lo mais de 30 vezes e querer assistí-lo mais e mais vezes ainda.



Voltando um pouco ao foco, eu quero dizer que cinema é experiência, e algumas dessas experiências, por mais simples que sejam, que vai desde o Forrest Gump se abaixando em direção à Jenny em Forrest Gump(Robert Zemeckis, 1995) até as maiores explicações filosóficas presentes em um filme cabeça. o importante é em que direção apontam estas experiências.


Minha mãe é aquele tipo de platéia que parece estar dentro de um filme, ela não pode ver Os infiltrados(sim, esse não é filme família, sei..) sem sentir "um golpe na cabeça" quando um casal é executado com tiro na cabeça no prólogo da película sendo que a mesma cena me causa um prazer cinematográfico, mas que por vezes está longe de ser por esse motivo e não está embalado na "sensação humana" da cena.

Minha mãe sentiu a cena numa amplitude que eu não, por outro ângulo de visão ela sentiu a cena MAIS do que eu.



Isso é meio que um defeito meu como cinéfilo, eu com o passar do tempo não percebo mais as cenas como um todo.

Talvez o filme(Kung Fu Panda) seja feito justamente pra ela e nao pra mim, pra quem sente o perigo na corda balançando com os personagens e não está preocupado com "o roteiro vai ser corajoso a ponto de matar todos e fugir dos clichês"? é a pessoa que assiste o MOMENTO do filme.



Às vezes fica difícil eu falar sobre isto sendo alguém que se compromete a fazer críticas sobre filmes que assiste(mesmo que geralmente animações apenas), mas eu percebo que isso é um defeito meu e que não posso me orgulhar dele.

Eu meio que sofro de uma síndrome de "querer dirigir o filme dos outros", talvez seja pelo fato de eu já ter criado minhas histórias e tê-las desenvolvido como cinema e isso talvez tenha dado o ponto de partida pra mim ser assim, ou talvez uma "tensão-cineástica" que estou tendo por ter um projeto de curta metragem que já vem de quase 2 anos sem complementá-lo/trabalhar nele e resolver alguns problemas de história e decupagem.


Mas pensem bem, às vezes os diretores podem ser os piores tipos de críticos, e casos pra isso até existem(e eu vou evitar citar). mas vamos voltar mais ao foco, de novo:



Será que o cinema não é isso? sentir o quanto é legal ver um cara bater com o taco de baiseball em cima da sua TV num ataque de raiva? infelizmente a cada dia se olha pra coisa muito pelo lado racional da coisa.

Numa comunidade do Orkut, num fórum sobre cinema falando sobre o filme Bastardos Inglórios(leia minha crítica aqui), alguém questionou a cena que se passava em uma taberna dizendo que era muito boa, porém muito longa e não "acrescentava nada" no continuamento da trama(coisa que discordo por motivo spoilerento, se alguem quizer eu explico nos comentários com aviso de spolier) e por causa disso a pessoa não gostou tanto do filme.

Essa pessoa foi replicada por outra com um comentário muito interessante que meio que expandiu minha percepção: algo como: às pessoas se prendem muito a esta história de que algumas cenas não movem o filme, sendo que os filmes precisam sim de cenas que não o movam ou acrecentam informações elementares no continuamento da trama contando que essas cenas sejam realmente prazerosas e que funcionem como uma cena e que muitos filmes antigos que consideramos clássicos hoje as possuem.


Esse comentário foi muito interessante e reforça o que eu afirmo sobre a "racionalização do cinema", a ânsia de se procurar os "melhores diretores da geração", ou "melhores diretores do Japão atualmente" ou "melhor filme do estúdio" tende a procurar cinéfilos que prezam mais por um título que um filme possa receber do que por eles em si, querem procurar filmes perfeitos, filmes que se sobressaiam aos outros, que sejam melhores e isso mata a principal importância dos filmes: trazer reflexão e prazer ao se destilá-los e não necessariamente explicá-los aos outros.
Trazendo um comentário meio fora do foco mas, os filmes do Hayao Miyazaki prezam muito por isto, elas não tem uma história do tipo que outra pessoa poderia contar, pois as imagens, gestos e particularidades do filme falam tanto ou mais do que o roteiro escrito ou querer estudar qual movimento de câmera ou enquadramento Miyazaki usa pra cada cena.


Eu quando estou vendo um filme não preciso querer que ele seja "o melhor filme da semana" ou o melhor em alguma coisa, isso certamente seria bom e recompensaria minha experiência, mas não é isso que vai fazer eu ter pensado: "valeu a pena eu ter gasto esses minutos e ter visto esse filme", e nisso entra outro grande problema, as expectativas.

É saudável ter expectativas por um filme, mas hoje em dia na era da internet onde você tem acesso a um projeto até mesmo 4 anos antes dele ser lançado nos cinemas ela tem causado um efeito ruim maior do que em qualquer época, quando deixamos nossas expectativas moldarem o quanto a nossa experiência foi recompensadora ou não, sempre haverá problemas.



Finalizando esse texto quero dizer que não estou fazendo crítica a análises técnicas aprofundadas sobre os filmes, longe de mim isto, só quis compartilhar uma conclusão que tive sobre aproveitar o que não se pode ser medido, tentar entrar mais de cabeça aberta nas experiências que qualquer filme pode trazer, acima de querer achar erros ou acertos épicos. Vivam os filmes e apreciem a beleza que eles podem trazer a você, e apenas a você.

Aprecie acima de tudo o que este filme pode lhe trazer de forma que nenhum outro poderia, seja um idoso-recém nascido girando sua cadeira de rodas, um ser que parece uma caveira cruzando os céus vestido de Papai Noel ou 2 brucutus com máscaras jogando Star Fox no Super Nintendo.


3 comentários:

sapao318 disse...

caramba meu jovem..belo post..(um dia me dou o prazer de dissertar sobre algum tema por tanto tempo)...!
concordo e discordo em algumas partes do seu post...mas eu tenho uma coisa com relação a filmes que percebi recentemente...quando vejo a primeira vez é só alegria, na segunda percebo algumas manhas e truques de camera etc.. do diretor, mas se vejo o mesmo filme uma quarta ou quinta vez, eu acabo ou amando o filme ou simplesmente não consigo velo de novo...o ultimo da lista foi o TEORIA DA CONSPIRAÇÃO com o Mel Gibson...tenho ele em dvd e divx pra emprestar...já vi mais de 30 vezes por cima..e deu esse dias na tv e vi de novo...comerciais incluidos... e foi como se fosse da primeira vez...amei a coisa totalmente, incrivel isso!!!
mas o bastardos inglórios eu nãopreciso mais ver não...achei fraco!!!pode ser birra minha...mas achei fraco!!!

abraços!!!

Jonathan Rodrigues disse...

sapao, esse lance de gostar mais e mais de um filme acontece comigo com o Ratatouille, já vi 6 vezes e cada vez gosto mais

o texto ficou um pouco fora de foco, mas é isso aí, é ao mesmo tempo que um desabafo uma troca de idéias sobre valores que os filmes possuem

Tiago Marin disse...

Caraca! Não achei o texto fora de foco, inclusive concordo e compartilho boa parte dele... Esse lance de algumas pessoas se relacionarem de maneira estranha (pelo menos pra mim) também me irrita rs... Meu irmão acha sussa parar o filme no meio, voltar mais tarde... Faço isso só quando é extrema necessidade...

Também sobre já não aproveitarmos mais a cena como um todo, como uma simples cena, mas vermos tanta coisa por trás, que talvez atrapalhe um pouco mesmo a experiência...

Enfim, excelente texto mesmo!

E também curti o preview de Avatar, apesar de não acreditar que ele bata Titanic.

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