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Resenha: Toy Story 3
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domingo, 27 de junho de 2010

Cinema-Crítica: Toy Story 3 e o poder simbólico desta obra

um bela e arrebatadora homenagem da Pixar a todos os seus fãs e a sua própria história -


Assisti Toy Story 3, nova animação da Pixar que por si só já gera expectativas gigantes, mas havia um motivo ainda maior pra se ter toda a curiosidade do mundo pra se assistir a este filme: é a continuação de Toy Story 1 e 2, 2 dos filmes de animação mais importantes, e porque não, influentes de todos os tempos, obras nada menos do que cultuadas por um grupo de fãs (inclusive eu). A questão aqui era: Porque se fazer uma continuação de Toy Story 2? Porque fazer esta continuação para ser lançada 11 anos após o último filme? Teria como esse filme fazer jús a 2 filmes tão bons? a Pixar não poderia enfim escorregar em uma 'nasca de bacana' justamente com sua principal obra nas mãos? Eu com toda a alegria do mundo e, claro, falando de minha opnião pessoal, lhe respondo: Toy Story 3 faz jús a seus irmãos mais velhos, FOI uma continuação que trazia todo o sentido do mundo pra existir e sim, não decepcionou em nada, e não só isso, se tornou talvez o filme mais melancólico e especificamente emotivo que a Pixar já produziu até hoje e ainda assim um de seus mais divertidos também.


Como é ser um brinquedo? Como é ter por meta de vida ser usado para fortalecer a imaginação de uma criança? Como é ter sua razão de ser jogada abaixo? Como é lhe dar com isso como fato imutável da vida?


É nesse clima que se inicia Toy Story 3, nos colocando num verdadeiro corpo de plástico, nos fazendo pensar num verdadeiro sentido de vida por outros olhos, não que os filmes anteriores da série não tivessem de certa forma feito isso, mas aqui de fato lhe damos com o futuro, com um grande momento, e realmente precisáva-mos desses 11 anos de diferença em relação ao último filme para que ele realmente acontecesse.




Eu já tinha comentado em outros posts que Toy Story 3 foi lançado em um momento bastante propício, afinal na linha temporal do filme é praticamente este (11 anos) o intervalo de tempo entre o 2 e o 3, onde aqui Andy cresceu e já tem seus 17 anos. Há a óbvia constatação de que este fato é interessante por automaticamente aproximar toda uma geração ao filme. Boa parte dos expectadores de Toy Story em 1995 eram crianças e estas crianças cresceram quase que junto do personagem Andy e hoje são boa parte do publico de Toy Story 3, só isso já é motivo suficiente para aproximar muito mais este público desta história, mas não só isso, no próprio enredo e mensagem do filme há uma grande e nobre razão para que esta relação entre o amadurecimento do personagem e do público aconteça dessa forma.


Tudo o que é apresentado em Toy Story é pela ótica de um brinquedo, só um filme assim, como o clássico de 1995 (que pra mim é a melhor animação de todos os tempos) pode nos dar tamanha sensação de perigo e tensão quando o que temos são bonecos que se perderam de casa mas estão na casa do vizinho a uma janela de distância e mesmo assim sentimos aquele perigo, porque nós pensamos por meio de suas limitações.

O prólogo de Toy Story 3 onde vemos os personagens em ação em uma situação imaginária criada por seu dono nos mostra este paralelo, lá nós vemos uma situação imaginária, mas em nível de aventura ela não difere tanto do que os personagens realmente passam, levando-se em conta de que se tratam de brinquedos, que tem suas limitações físicas.

É por esta ótica que o filme funciona, ele é sóbrio em seus objetivos. É um filme sobre brinquedos, pela ótica de brinquedos, mas que enfim encontra conflitos do nosso mundo no meio do percurso.




Toy Story 3 se desenrola em um tom de melancolia, é visivel que aqui o tempo passou, as coisas são diferentes, o próprio estilo fotográfico do filme parece transmitir isso, não só isso, nós o tempo todo somos lembrados que o período dos filmes anteriores é passado, além do choque óbvio o filme sutilmente nos lembra disso na atmosfera e em pequenos detalhes, como a indisposição do cachorro Buster ou o fato da menininha irmã de Andy ser uma criança (embora bem mais crescida que ele nos filmes anteriores) bem diferente dele devido a diferença cultural de cada época (por exemplo, ela escuta Ipod enquanto arruma seu quarto), a tecnologia nos é lembrada o tempo todo, não só isso, ela faz parte do mundo de Toy Story agora e os brinquedos lidam com ela assim como ela faz parte dessa nova geração, por mais que isso seja um choque para quem acompanhou, e está acompanhando o desenvolvimento assutador da tecnologia da comunicação nos últimos anos mas não cresceu exatamente no meio disso (como eu).

É de cortar o coração ver a relação dos brinquedos com o passado de Andy, mas de certa forma o que torna isso mais interessante é que Andy não é pior ou melhor do que ninguém, ele é humano, um jovem comum e com uma relação "comum" com as coisas de sua infância e isso é o que de mais dramático tem a situação, é como se nós tivéssemos criado aquela situação para aqueles personagens e Toy Story 3 joga esta situação na nossa cara.


É como se os dos filmes anteriores fossem vistos pela ótica de uma criança e neste 3 pela ótica de um adulto, Toy Story chegou à maturidade. Nós temos o final feliz, nós temos o objetivo dos personagens alcansados, mas nunca de forma tão melancólica, justamente porque Toy Story fala de um fato inegável, não só na vida de um brinquedo, mas na vida de uma criança/adolescente, aliás, essas coisas se ligam. Pode ser algo simples ou ridículo, mas é um fato triste e doloroso, porém real, que faz parte da vida de um brinquedo, uma realidade do qual não se pode virar o rosto, não mais em um terçeiro filme, é nesse clima que Toy Story 3, começa, se desenrola e chega ao fim.

Em Toy Story 3 todos os temores na vida de um brinquedo vem à tona: o medo da solidão, de perder seus amigos de brincadeiras no meio do caminho, de ver a pessoa com a qual vocâ partilhou seu carinho e anos da sua vida se afastar de você lentamente com o passar dos anos e enfim lhe dizer adeus, onde o perigo realmente está à porta dos personagens, mais feroz do que nunca, e que um fosso em chamas nunca pareceu uma alternativa tão viável quando estamos vendo um filme que qualquer um espera um final feliz.

O perigo é mais real do que nunca em Toy Story 3, não se sabe pra onde olhar, não se sabe o que dizer, só temos a situação: uma situação banal e cotidiana olhando pela ótica dos personagens humanos, um fim de mundo pela ótica dos brinquedos.




A todo o momento Toy Story 3 flerta com o passado, faz referências aos filmes anteriores, algumas assutadoramente bem encaixadas e parte intrísseca do desenvolvimento, outras, belas homenagens ao que a série já nos tinha mostrado "por outro ângulo", como a sequência inicial de Andy usando sua livre imaginação para construir mais um palco para mais uma das aventuras de Buzz e Woody, seus heróis imaginários, o que não quer dizer que isto também não sirva ao propósito citado inicialmente.

Há todo um clima de mudança durante o filme para nos fazer sentir esse salto de tempo, uma coisa muito legal aliás foi tranferir para a tela e para aquele velho mundo as mudanças que aconteceram aqui no "mundo exterior", sim, é o mínimo que se espera, mas o legal é que essas mudanças podem ser percebidas em muitos detalhes durante o filme, como o fato da menininha ter um PC dentro de seu quarto entre outras coisas, evolução tecnológica é um detalhe relevante e percebível em Toy Story 3.

No filme também há uma sutil critica ao consumismo, ou talvez não uma critica, mas uma citação interessante. Quem já o assistiu deve saber do que falo, fato que tem a ver com o passado do personagem Lots-o. É uma idéia interessante por reforçar um dos grandes problemas enfrentados pelos brinquedos que é o sentimento de invalidade, vale lembrar também as citações à TVs que acontecem ao menos 3 vezes durante o filme, nos lembrando do fim da era da TV analógica.




Seria simplista falar de Toy Story 3 apenas sobre o seu aspecto dramático já que além de muito divertido pelos seus ótimos personagens (inclusive os novos), ele assim como os outros filmes da série é um excelente filme de aventura, com empolgantes sequências de ação e com muita tensão.

O trabalho de edição desse filme é um dos mais visívelmente perfeitos que já vi num filme da Pixar, e esse detalhe tem toda uma importância em uma das sequências finais onde precisamos estar a par do que acontece em vários lugares ao mesmo tempo, isso claro, aliado ao excelente trabalho de direção que aliás é nada menos do que perfeito, pode-se perceber em muitos detalhes o cuidado cinematográfico na forma como o filme é conduzido, todas as informações são passadas de forma precisa e por várias técnicas de direção, como guiar a câmera a elementos que serão chave em alguma cena posterior ou de importância para a trama ou pequenas sutilezas que guiam a atenção do expectador para o que ele precisa perceber e etc..

Não é exagero, simplismente é de se apreciar muitas e muitas vezes todo o cuidado em detalhes para conduzir a trama que é feito neste filme, neste aspecto ele é um dos melhores da Pixar, senão o melhor. Esse cuidado nos detalhes é uma espécie de marca da Pixar, não só na questão de condução narrativa mas sim em próprias piadas e detalhes engraçados além dos facilmente percebíveis, é o tipo de coisa que mais tinha em Toy Story e que cativou os fãs.


Sabe-se que um dos maiores trunfos do filme original era seu ótimo senso de humor que ia de gags visuais e comportamentais até o mais refinado e inteligente dos diálogos, era um filme que explorava ao máximo situações e os próprios conflitos dos personagens, a grande graça de ver um Buzz que pensa ser um patrulheiro espacial que pousou num planeta desconhecido é sentir que ele realmente nos convence como um, em todos os datalhes e situações na qual interage com Woody, o "Cowboy Nervoso" nas palavras de Sid (o que por si só é uma piada das mais sutís, coisa que abunda em Toy Story). Este humor está em Toy Story 3, mas não na mesma frequência.

Seria um erro eu dizer que este filme aqui seria menos engraçado, primeiro porquê não existe uma escala real para se medir o que há de humor num filme ou não, isso varia de gosto/assimilação pra gosto/assimilação e segundo porque o espírito de comédia está intrísseco neste filme assim como nos anteriores, o que muda aqui é o contexto dela, Toy Story 3 é um filme mais opressivo, onde todo o perigo parece mais potente, você pode achar graça na inusitalidade das situações, mas se comporta como um daqueles brinquedos na mesma, o humor das situações, que nos outros filmes, principalmente no primeiro, estava mais ligado apenas ao perigo, aqui está ligado não só a isso como também a emoções mais do que nunca.


Aliás, emoção é o que não falta em Toy Story 3, os momentos finais do filme são cheios de momentos memoráveis e de extrema carga dramática, mas há um determinado momento realmente assustador ao mesmo tempo que bonito, é como um veredicto sobre o sentimento de união dos personagens, e sinceramente, nunca me lembrei de existir um momento ao mesmo tempo tão terrível e bonito num filme, muito menos num desenho animado. Uma cena realmente arrebatadora que diz muito sobre o filme e sobre aqueles personagens naquele momento.




Nostalgia é um tema que pra mim é muito interessante, e afirmo sem medo que esse é o filme que o melhor o traduziu dentre os que já pude ver em toda a minha vida.

Por mais que seja um excelente filme, Toy Story 3 é uma despedida, como se colocasse as duas aventuras da trupe anterior como algo do passado, e por isto mesmo este filme parece potencializar o que de mais legal existia nos filmes anteriores, mais do que nunca iremos ver aquelas peripécias como uma lembrança de nosso próprio passado, lembranças que ficarão por lá, mas viverão conosco. Essa é a sensação que o filme transmite, de que devemos agradecer por aquilo que já desfrutamos, mas seguir adiante, e é nesse sentimento que parece que a Pixar se escorou em todos esses anos pra nos presentear com suas grandes e sempre renovadas obras.


O parágrafo abaixo pode conter alguma idéia de mínima relevância na trama, se você for "chato" a ler "possíveis ligeiros spoilers" pule clicando aqui.


Ao fim do filme o que temos é como um resgate do que realmente de bom tivemos em nossas lembranças e do real valor delas, Andy pelo équivoco mostrado no filme entende o real valor de seus brinquedos, não o objeto em si, mas o que de fato ele lhe proporcionou, é como um belo presente para os fãs: Buzz e Woody não são só os velhos brinquedos de Andy, agora ele os vê como parte de sua vida, é como se a Pixar com sua mágica nos tranforma-se naquele protagonista, nós estamos entregando não só Toy Story para as novas gerações, mas as novas obras da Pixar, as novas pérolas de nossas lembranças que estarão sempre conosco e agora também com eles.




Toy Story 3 fala sobre o passado, sobre mudanças, sobre o futuro inadiável, tanto para Andy quanto para seus brinquedos, é o filme onde nossos personagens chegaram ao máximo e chegaram a plena certeza do que são e em como encarar seus futuros.

Pode parecer bem simples o dilema de Andy, mas há muita emoção na forma sincera como isso é tratado, Toy Story 3 é a Pixar colocando com carinho sua franquia numa caixa chamada "passado" e seguindo em frente, mas não sem agradecer a esses brilhantes personagens por tudo o que eles nos proporcionaram, é simplismente um desfecho mais do que digno para uma das maiores trilogias a qual o cinema já foi presenteado, tudo isso ainda embalado como um verdadeiro presente a uma geração de cinéfilos que pode acompanhar a partir dos anos o crescimento deste verdadeiro fenômeno pop, e do fundo do meu coração, eu me orgulho de fazer parte desta geração.


Valeu Buzz! Valeu Woody! vocês agora fazem parte da história do cinema.



ps: a lágrima que não saiu enquanto eu assistia ao filme saiu enquanto eu escrevi essa resenha. e é sério, e tive que assistir 2 vezes pra terminar este texto, uma na estréia e outra ontem.

ps2: um dos bonecos que aparecem no filme é um personagem de um dos filmes de Hayao Miyazaki, não direi qual é pois já acho que só por dizer isso ja estou quase estragando uma interessante surpresa, mas informo que há um grande companheirismo entre o estúdio Glibli, de Miyazaki, e a Pixar, já que ambos consideram que as obras um do outro são grande fonte de inspiração para seus artistas. Uma bela homenagem da Pixar, e no filme mais propício para ela.

ps3: será que o moleque lixeiro que aparece no filme é quem estão falando que é?




escala 'traz o lencinho': 10
escala comédia: 9
escala 'acabei com a maldição do 3': 10

Nota: 10




leia outras resenhas
de animações clicando aqui



6 comentários:

Pulga disse...

Filme excelente, nostalgia total. Mas eu realmente acho que o filme não foi tão ENGRAÇADO quanto aos anteriores, porque ele foi destinado a um publico mais adulto deixando a historia mais dramatica. Mas é claro que eu ri em diversas cenas (e quase chorei como uma garotinha). Porem por ser uma conclusão para a franquia - acho - é assim que deveria ser, sendo até melhor do que eU esperava.

É um filme excelente que deve ser visto. Só não entendi aquele romance, mas posso ignorar isso.

Ótima critica Jonathan, até

Luciana disse...

Ok! Vc fez uma lágrima escorrer no meu rosto com esse texto ^^

Pra mim, é o melhor filme que eu já vi! Sem mais...

xD

Dik disse...

Eu não segurei lágrima nenhuma quando vi esse filme, ou melhor, essa lição. Lição de cinema, de história e de vida. Tem tanta coisa pelo que passamos que, por mais doloroso que seja, temos que colocar na caixa "passado" e seguir em frente.

Crítica sensacional.

Starlei disse...

Favor ler se tiver assistido ao filme.
Quando vi pela primeira vez na TV o threiler de Toy Story já havia ficando fã incondicionalmente, pois a junção de brinquedos com animação era simplesmente perfeita. Juntava duas coisas que eu e outras "zilhares" de crianças no mundo todo amava. Eu tinha álbum de figurinhas e brinquedos antes mesmo de assistir ao filme. E Toy Story 3 sem dúvida pra mim, veio como se era esperado, apesar de ter muita dramaticidade em relação aos outros ele não podia deixar de estar perfeito. As analogias aos primeiros filmes criava um sentimento nostálgico difícil de explicar,como as falas da brincadeira de Andy logo no início, o Buzz pensando ser um patrulheiro do espaço e até aquele "oooohhhh!" dos alienígenas que até hoje tento fazer com perfeição. O dos dramas que sentimos logo de cara é saber que brinquedos tão leais como o C.R já não existem mais, mas aliviando a dor quando vimos também a aparição de novos brinquedos tão divertidos como o Ken, e até mesmo a aparição de um em especial, pelo simples fato de estar lá, o personagem lendário Totoro, citado por Jonathan, do filme de Hayao.
Outra citação, que foi talvez a mais surpreendente foi justamente a última cena, quando a câmera vai subindo ao céu e dá de cara com nuvenzinhas padronizadas e cartunizadas, mas de onde seriam aquelas nuvens... hum, talvez no início do primeiro filme podemos encontrar a resposta.
Enfim Toy Story 3 é tudo de bom, e ainda dá um gostinho de quero mais, pra mim, uma continuação com a Bonnie seria bom demais.

Jacques disse...

Parabéns pelo texto, acho que ele resumiu o que muita gente sentiu sobre este filme.
Os personagens e a trama de Toy Story são realmente comoventes e instigantes.
Só por curiosidade, a cena em que a Jesse chama o Rex com um grito parece ser uma referência ao antigo desenho do Godzilla, em que o filhote, Gudzuk, SEMPRE tinha de chamá-lo colocando a cabeça embaixo d'água e gritando.
Valeu.

sofia martínez disse...

Eu amo, o que 10 anos de idade gostei, minha pequena gostei e tenho certeza que assim como milhões de pessoas. Para mim, foi inesquecível e maravilhoso, acho que a espera valeu a pena, sem dúvida que Toy Story 3 é um dos filmes infantis que marcaram jovens e velhos, uma mistura com alguma emoção foram a combinação perfeita para não apenas entreter o público, mas também para cativar. Ótimo, ótimo filme que não me canso de dizer isso.

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