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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Cinema-Crítica: Avatar [com possíveis spoilers!]

this is great!


ps: esta crítica contém possíveis spoilers, e ao menos que você não se importe em saber alguns detalhes importantes da trama recomendo que não leia até assistir ao filme
.

Avatar, o filme mais esperado dos últimos anos e o resultado de mais de 10 anos de trabalho é nada menos do que eu poderia esperar, foi um belíssimo espetáculo com uma técnica revolucionária e que honrou o título de épico, o diretor James Cameron trouxe de volta a mágica dos grandes blockbusters. foi uma experiência SENSACIONAL que farei questão de ter várias e várias vezes! eu saí do cinema rindo à toa.

Eu não vi Jurassic Park no cinema, tudo bem, talvez nem deveria, eu tinha 3 anos quando o filme estreiou no Brasil, mas o problema não é esse, eu não vi o blockbuster defininitvo da década de 90 na tela grande e nada na década de 00 me fez superar isso(e eu fiz a besteira de não ver nenhum filme do Senhor dos Anéis no cinema também), até os 45 minutos do segundo tempo a história parecia não mudar e o que ficou foi apenas a promessa, dia 18 de Dezembro seria dado o último chute a gol.

Avatar é grandioso. ponto. Toda esta ambição tecnica se deve a alguns motivos principais:


1° o uso da tecnologia 3D

Tal tecnologia vem dando grandes passos com os anos, é fato que a maioria dos filmes lançados em 3D hoje não usam tão bem todo o potencial que a tecnologia apresentou até antes da estréia de Avatar, se contentando apenas em portar filmes 2D para o 3D com efeitos de profundidade para destacar elementos da tela, tornar cenários mais distantes e detalhes mais próximos da tela, filmes que usaram o efeito desta forma são UP da Pixar e A era do Gelo 3 da Blue Sky por exemplo.

Por mais que seja interessante o 3D já provou que pode ir muito mais além, quem deu o grande passo para isso foi o cineasta Robert Zemeckis(que por mim abandonou todo o seu estilo de carreira pra se dedicar a experimentalismos, o que, por outro angulo, fora da proposta da crítica, é uma pena pois o fez não entregar nada digno de sua brilhante carreira anterior a esta fase) que com o Expresso Polar em 2004 tentou, ao fazer um filme totalmente em CGI deixar a experiência do 3D em primeiro plano e visou a confecção das tomadas já pensando em como funcionariam num cinema 3D e não a portando posteriomente. Isto fez com que o filme tivesse um nível de profundidade muito maior, o mesmo foi feito com os filmes posteriores do diretor, Beowulf e Os Fantasmas de Scrooge, o filme da Dreamworks Monstros vs Alienígenas também usou da tecnologia da mesma forma embora o sempre escandaloso Jefrey Katzemberguer tenha alardeado isso como a coisa mais genial do mundo, quando já foi eficientemene idealizada anteriormente.

O fato é que com Avatar a coisa foi diferente, Cameron por conta própria desenvolveu a câmera e toda a forma de se captar as imagens e tranformá-las em algo convincente quando reproduzido em uma sala com tecnologia 3D, é algo puramente técnico, mas é visível que seja a evolução de tudo o que o 3D caminhou nesses anos, enquanto as coisas "do lado de fora" melhoravam aos póucos, Cameron trabalhava uma grande estrutura para que algo maior acontecesse.




O resultado é a sensação completa de que tudo o que vemos não é só um conjunto de camadas, mas imagens que dão a total sensação de volume, é literalmente a imagem ganhando forma e profundidade, nós não vemos mais as coisas saindo da tela como algo visivelmente feito pra chocar a platéia, aquela distância, do elemento mais perto de nós em relação ao elemento do fundo é realmente uma distância real. a tela do cinema literalmente virou uma janela gigante.


2° o uso da captação de atuação

Talvez seja o mais assombroso passo técnico de Avatar, nada, absolutamente nada feito antes chega sequer perto da qualidade da captura de performace que este filme apresentou.

Captura de performace é o ato de um ator ser devidamente filmado e seus gestos, inclusive expressões faciais, serem interpretados por um computador e passados para um ser digital que devido a sua estrutura de comportamento pré-estabelecido irá interpretar os mesmos movimentos e reproduzí-lo.

Esta técnica ficou conhecida por ter sido utilizada em filmes como O senhor dos Anéis, Hulk e no O Expreso Polar, enquanto que nestes filmes o ator teria que usar sensores pelo corpo através de uma roupa de malha especial, além de um capacete e uma máscara de sensores no rosto também.

A técnica evoluiu com os anos a ponto de chegar na, antes da estréia de Avatar, melhor exibição do recurso já vista no cinema, o filme O Curioso Caso de Benjamin Button. Neste filme revolucionariamente não era necessário o uso dos sensores no rosto, uma câmera especial poderia tranferir ao modelo em CGI os movimentos faciais do ator(Brad Pitt no caso), realmente um grande passo para a tecnologia, às vezes fica difícil perceber o porque foi tão bem feito o recurso no filme pois ele foi usado num modelo de CGI do ator idoso, e o filme é tão bem feito que não nos leva a refletir em como certas cenas puderam ser feitas, mas qualquer making off do filme, como este pode exemplificar como o processo funcionou.




O que acontece em Avatar é que, além de não ser necessário sensores facias, os movimentos faciais dos atores são transmitidos para seus modelos CGI em tempo real, sem ser preciso ajustes posteriores e o mais importante, num detalhamento assutador, realmente assutador.

Unindo a qualidade da captação, do 3D e do detalhamento dos efeitos visuais em si, nós não nos preocupamos mais em ver o que é real e o que não é, tudo faz parte do filme agora, não há diferença se os na'vi são seres gerados por computador ou pessoas pintadas de azul, chegamos ao ponto que isto, é visualmente irrelevante.


3° o uso de cenários totalmente CGI

Avatar também mostra a sua ambição em ser um filme que se passa inteiramente em um planeta desconhecido, e por conta disso a esmagadora maioria dos cenários vistos são pura computação gráfica. Outros filmes já conseguiram tal feito, mas mostrando extrema artificialidade (como Capitão Sky e o Mundo de Amanhã). Em Avatar todos aqueles cenários que são CGI pura parecem realmente ter vida, parecem palpáveis, nos convencem de sua existência como falarei mais abaixo.


4° escopo da concepção estética

Não foi só tecnologicamente falando, Avatar foi um desafio a partir do momento que se propôs a criar um mundo novo, um planeta com muitos detalhes, fauna e flora próprios, entre outras coisas, um trabalho de louco e uma execução assombrosa.




Pandora, um mundo novo no Cinema


Lá em cima eu falei sobre como funcionou tecnicamente a criação de todo um mundo em 3D e o quanto ele convenceu, mas não é só isso que é especial em Pandora, o planeta alienígena criado por Cameron e sua equipe é uma grande conquista do ponto de vista estético e é confeccionado em detalhes como um mundo com seu próprio senso de relação entre as criaturas vivas e que a todo momento nos deixa curioso sobre como funciona, para exemplificar: a conexão dos na'vis a outros seres através de suas extensões do córtex, a variação de vegetação, a forma como a floresta se compoorta à noite, o fato daqueles bichos voadores estarem apenas nas partes altas, tudo no mundo do Cameron tem um ar de novidade mas é convincente, e me parece que há ainda muitos detalhes a se descobrir além da primeira assistida.

Uma coisa que me preocupava inicialmente era assistir a um filme que se comprometesse a ser realista e se passar praticamente inteiro em cenários CGI, há sempre aquele receio de tudo parecer artificial e cansativo, e isso passou longe de Avatar, Pandora é um mundo todo criado por computador, mas parece vivo, maleável, parece que realmente existe, algo visualmente irrepreensível, uma simples fruta transmite toda a "suculentiçizagintagem" da mesma, as árvores, a água, as plantas, tudo parece de verdade, e não é só papo de quem é ligado em realismo de efeitos visuais, um desavisado pode certamente achar que Pandora realmente existe(e descobrir que não mais tarde), que aquilo não pode ser completamente "falso". Isso é, no bom sentido, assustador.




História, desenvolvimento de roteiro e clichês


Falando da história do filme em si, ela lembra muito vários outros filmes como Matrix, O Último Samurai, Pocahontas e etc.. em certos detalhes. Isto para muitos é algo desastroso, para mim, nem tanto.

O legal do filme é o grande universo por trás dele, as cenas iniciais não poderiam ser mais perfeitas e nos situar na grandiosidade da situação, repare que o roteiro não subestima o poder de dedução do expectador, não pretende deixar toda a situação da exploração de Pandora toda mastigadinha, ele constrói a nossa visão sobre o quanto a humanidade avançou, e inclusive, na relação com os nativos aos poucos. Repare que os na'vi sabem sobre como funciona nossa tecnologia, tem um histórico de tentativas diplomáticas anteriores, sabem sobre as máquinas controladoras de avatares e etc... mas o filme contrói nossas informações sobre isto, que são inseridas sutilmente.


Vale notar que Avatar, embora seja apontado como longe de ser uma história genial, ao menos não tem nenhum interesse em defender que blockbusters devem ser simplórios e de fácil assimilação, Avatar tem sim suas pretensões em questão de história, e essa "mescla de estilos e referências" contribui muito pra isso.

É o filme sobre superação, identidade, moral e ao mesmo tempo é um excelente exemplar do gênero da ficção-científica, fica impossível não se impressionar pelo desenvolvimento da história olhando pelo ponto de vista de onde e como nela se relacionou, a questão social com o avanço tecnológico da humanidade entre outros detalhes, tudo em Avatar é verossímil.

O que eu defendo muito no filme é como a história tem coração, se é clichê, é de forma muito bem usada, e segundo três teorias diferentes que já ouvi, um clichê quando bem usado, pode não atrapalhar um filme, pode até perder sua identidade como clichê ou até mesmo melhorar um filme(essa parte é radical demais e não concordo, mas vamos só pra tomar nota).

Fica difícil condenar um filme sobre um cara paraplégico que vê um mundo completamente novo onde ele tem "suas pernas de volta" e fica dividido entre suas preferências quando você lida com cenas como a apaixonante onde ele ao poder andar de novo após muito tempo(mesmo em seu avatar) não se contenta e numa sequência tensa abandona o laboratório e sai correndo pela vegetação de Pandora numa alegria contagiante, um dos momentos em que o filme se rende à pura emoção.




São esses momentos de pura emoção, e a forma como o filme as trata que faz Avatar ser tão forte, como já falei antes, Avatar constrói Pandora aos poucos e a condução do filme sabe a grandiosidade da situação, nos deixa saborear cada parte nova e contemplar a beleza do lugar, sabe que o público não está só vendo algo grande, está vendo algo novo, diferente de tudo já mostrado, e momentos como o deslumbre dos personagens ao verem as plataformas flutuantes pela primeira vez ou o primeiro vôo de Jake e sua embasbacada expressão mostram bem isso, e as boas atuações reforçam.

Outra coisa salientável é a sutileza do roteiro em nos mostrar pontos importantes, basta ver que o sentido da cena final estaria muito comprometido se não fosse todo um jogo de roteiro para nos situar em como o mundo de Pandora funciona, e isso não é resolvido com uma explicação descolada, é todo um jogo de desenvolvimento ao longo da película.


Outro ponto a favor é, que por mais que se assemelhe a algo já visto, Avatar torna aqueles elementos algo novo na aplicação, por mais que se assemelhe à Matrix a conexão dos humanos aos avatares, fica distante a aproximação quando vemos isto na prática e como o filme trata a conexão e mescla a dualidade entre as horas de Jack no corpo de na'vi e no seu próprio corpo, nada de cortes dramáticos toda vez que ele se desconecta, há todo um intercalamento e recursos de edição para demonstrar o passar o tempo e a dinâmica de suas atividades "ON" e "OFF avatar", fora a forma de conexão que é visivelmente bem diferente, há uma tranferência de estado de coinciência, não simplismente uma realidade visual que vem para o conectado e pode ser manipulada.


Não vou entrar muito em detalhe sobre a trama ser original ou não, até porque não assisti a filmes citados como grandes "fontes de inspiração" para o James Cameron, como o Dança com Lobos, O Novo Mundo e o livro Call Me Joe, mas analizando a história em si eu acho que ela funcionou perfeitamente, ela pode, friamente, ser a compilação de muitas idéias usadas anteriormente, mas ela funcionou muito bem, principalmente no que envolve o início do filme pela forma como é demonstrada a capacidade tecnológica dos humanos, como funciona todo o lance da viagem espacial, treinamento dos militares e etc..

Fica difícil afirmar o que é plágio ou "livre inspiração" e o que não é pois nunca se sabe quando Cameron acrecentou certos elementos ao roteiro, dizem que ele vem sendo escrito desde meados de 1995, às vezes(e possivelmente) a própria idéia de conexão dos humanos a outros corpos pode ter sido idealizada antes de Matrix(o que eu acredito já que aqui a função da conexão é completamente diferente), se isso é verdade ou não, se Cameron não se pronunciar sobre isso nós nunca saberemos, e realmente acho que para o bem do filme isso é irrelevante, a história não se tornará melhor ou pior por causa disso.




Avatar e o cinema blockbuster


Avatar também não tenta se render às convencões do cinema blockbuster atual, ele dá margem a idéias novas ou pelo menos não geralmente usadas, o ponto mais visível, embora simples, é que no filme os humanos são os FDPs e geralmente em filmes do tipo são os ETs que invadem a terra como raça belicamente mais avançada para causar destruição devido aos seus fins explorativos.

Avatar também ganha pontos porque a temática dá lugar a conflitos, como a crise de identidade do protagonsita, mostrar que a vida alienígena pode ser algo interessante, entre outras coisas, há de se aplaudir esse total investimento na maturidade do publico, que, mesmo que não esteja preparado ou com boa vontade para um filme que exija mais comprometimento de sua parte, ao menos será forçado a lha dar com isso quando está ligado no filme simplismente pra ver a porrada estancando entre na'vis e humanos.

O mesmo vale para a forma como a questão religiosa dos na'vi é inserida, de forma competente e ao mesmo tempo se interliga às questãoes científicas e também com relação à descobertas que podem estar acima da capacidade humana até o momento.


James Cameron tem paixão pelas histórias que conta, pelos mundos que cria e pela atmosfera de seus filmes, isso transborda em Avatar, a muito tempo não via uma filme onde eu interagisse tanto, onde a cada momento da luta eu torçesse pra ver a cada do vilão arrebentada, que meus braços tremessem durante a projeção, que a minha fúria se confundia com a dos "personagens mocinhos", onde eu parecia que estava lá, no meio da explosões das naves, vendo tudo aquilo, vibrando a cada vôo e a cada conquista dos personagens, que eu torçesse tanto por eles.

Isso é peça fundamental, peça fundamental nos filme-eventos e algo que o cinema blockbuster raramente nos estava apresentando, personagens que nos façam se improtar com eles. Avatar e sua condução nos trás o que apenas os grandes diretores de ação(ou pelo menos os que se importam com as histórias que contam) conseguem, é algo que eu sempre saliento quando falo sobre o King kong do Peter Jackson, todo mundo sabe que o gorila vai cair do prédio no final, mas a condução, o momento do filme, nos deixa sempre com a esperança e com a antecipação de que aquilo pode acabar bem, que o King Kong pode derrubar os aeroplanos, porque naquele momento, é a sensação que a platéia precisa.

Não que seja exatamente desta forma que acontece em Avatar, o que eu quero dizer é que nós sentimos o perigo, nós nos importamos quando um personagem está numa situação desesperadora(como acontece com Neytiri em determinado momento), nós sentimos que tudo pode dar errado a qualquer momento, mesmo que alguém nos garanta, ou nós já tenhamos visto, que tudo acaba bem no final.

É esse domínio, que faz Avatar ser o filme com o impacto que realmente quer causar, não só impacto visual, não só quebra pau, mas ir mais fundo numa cena de batalha, ir mais fundo na emoção que aquilo tem e mostrar que os humanos ou os na'vi são 'seres de carne e osso'.




Cameron é um fanfarrão, o cabra conseguiu me surpreender mais uma vez com a habilidade que tem de lhe dar com cenas de ação grandiosas, basta ver que, ao contrário da grande safra de blockbusters atuais, você está lhe dando com cenas de escopo gigante, mas tem noção de tudo o que acontece, o que deixa a batalha empolgante e não simplismente uma junção de porradaria e imagens confusas, como Michael Bay costuma entregar.

Não só O cara pra trabalhar com cenas de ação, Cameron sabe tratá-las com sensibilidade, mais do que só o quebra-pau ele põe em Avatar a dinâmica das cenas com tomadas recompensadoras (que mostram a batalha em visões amplas) mostrando que tem total domínio do que acontece ali, a sua câmera, ao contrário da de um diretor sem a maturidade pra este tipo de filme, não usa incansavelmente o recurso do balanço frenético pra realçar a ação, ela é mostrada várias vezes dum ponto de vista calmo("fixamente falando") realçando bem o que é a destruição retratada em si e não querendo impressionar mais do que as imagens em si já o fazem.




Todos os atores do elenco se saíram muito bem, destaque para Zoe Saldana que se destacou na sua personificação da guerreira na'vi Neytiri, Sam Worthington também manda muito bem, o cara tem tudo pra se tornar um grande astro devido às suas constantes participações em filmes de grande visibilidade ultimamente, o cara é talentoso e é um ator carismático, o resto do elenco também está legal.

Reconheço que é importante para algumas películas o cuidado na escolha de elenco também do ponto de vista estético, parece bobagem o que eu vou dizer mas, faz parte da experiência a retratação visual dos atores, por exemplo, ficaria complicado se a personagem da Michelle Rodriquez não fosse intepretada por ela, uma mulher Latino style com pose de fodona("mulheres fodonas" não faltam nos filmes do Cameron), o filme perderia muito sem ela, mesmo que tivesse uma atriz com um potencial dramático 3X melhor no lugar, o mesmo pode-se dizer do vilão, falando isso pelo menos na forma como James Cameron gosta de retratar os personagens.




Avatar vem em tempo oportuno também para salvar o cinema blockbuster do seu marasmo atual, onde qualquer filmeco cheio de barulheira e quebradeira leva milhões ao cinema, Avatar é um dos poucos exemplares de pipocões que não chamam o público de estúpido(não vamos entrar nos méritos de ser ou não, por favor hehehhe) na safra dos filmes dos últimos 3 anos, e podemos dizer que este ano os bons blockbusters invadiram o cinema(com Distrito 9, Star Trek...), mas em compensação tivemos outros filmes para honrar o título de verdadeiras porcarias, como Transformers 2, Dragonball Evolution e outros.

É bom que Avatar concientize o público de que ele não precisa ser chamado de idiota, que os filmes podem ser mais interessantes, é interessante ver que Cameron mostrou isso com um filme que se passa num mundo alienígena, regado por valores completamente opostos aos nossos e que mesmo assim pode fascinar, o público precisa sair da acomodação, precisa saber que o cinema pode ir mais além de personagens rasos que não exigem comprometimento + quebradeira + solução fácil que resulta no legítimo produto fast-food, e que o cinema pode ser um mundo inteiro a ser descoberto e de outras maneiras que nem sempre precisam ser a que nós imaginamos.




A subestimação do avanço técnico


Acredito que o que estja acontecendo com Avatar, na questão da aceitação pelo público geral, seja fruto do próprio passo à frente de seu tempo que Cameron está dando.

Avatar não é só mais um blockbuster grandioso com efeitos melhores do que já se foi entregue antes, Cameron desafiou todas as regras pra chegar a esse filme, mostrou onde a tecnologia pode chegar e, sim, pode ajudar o cinema a contar suas histórias da forma mais livre possível, às vezes o que penso é que Cameron se prontificou tanto a reproduzir a realidade, por mais ampla que fosse, que o devido valor que receberia a sua 'cria' foi comprometido.

Por Exemplo: começa o filme, a câmera sobrevoa a floresta de Pandora, e eu, cara chato que estava a anos e anos esperando pelo filme, enchendo o ouvido(e na maioria das vezes os olhos) de todo mundo pra ver aquilo, observo a floresta e na hora não lembro que aquilo, aquilo tudo, é irreal, não existe, o mais simples pixel de cada folha, o mais simples fragmento de muco presente no chão.

A revolução de Avatar é maior, maior do que aparenta e o tempo só vai salientar isso na minha opnião. Sabe quando você vê Terminator 2 pela milionésima vez e ainda se impressiona com os efeitos do T-1000? ou quando ainda se assombra em como foram feitas as cenas de Titanic e o quanto aqueles efeitos de 13 anos atrás não parecem em nada envelhecidos? acho que, mesmo com esta feroz evolução da tecnologia o fenômeno ocorrerá com Avatar de forma ainda mais forte.




No fim James Cameron conseguiu, Avatar é um espetáculo grandioso, de tirar o fôlego e de extremo realismo, que considero virtuoso em muitos sentidos, na estética, na evolução tecnológica, no desenvolvimento de narrativa e na criação de um mundo tão interessante e curioso que parece engolir completamente qualquer história que se possa contar a partir dele(assim como foi com Guerra nas Estrelas).


Avatar foi uma revolução visual, mas sem a mão de Cameron esta revolução nunca pareceria tão boa e esperançosa em relação ao futuro do cinema.


Não vejo a hora de voltar para Pandora, e muitas e muitas vezes.


[Update] Esqueci da nota(de novo) hehee
Nota: 10


10 comentários:

Guilherme Bakunin disse...

Uau, seu texto tá completo, Jonathan, fiquei impressionado. Concordo com você especialmente no que tange à técnica grandiosa do filme, que é inquestionável, irrefutável. Não sei se foi o passo mais importante dado nos efeitos especiais após a invenção do CGI, mas o tempo nos dirá.

Douglas disse...

Bom, todas as divulgações de avatar foram muito bem planejadas, o Cameron prometeu uma grande produção com todos aqueles pôsteres, trailers e cenas. E pelo que eu já lí sobre o filme todas as espectativas foram superadas.

Só não posso me aprofundar muito porque não assisti o filme ainda. Só passei mesmo para parabenizar seu trabalho, esse review está fantástico, você está de parabéns!

Assim que eu assistir o filme eu volto com uma crítica. Abraços!

Giordano Bruno disse...

Gostei do post cara (peguei o link no Orkut). Também adorei o filme, e me orgulho de ter visto no cinema em 3D (em breve poderei me orgulhar de ter visto no IMAX 3D, hehehe).
Acho que a história é muito bem amarrada, não ofendeu minha inteligência (vide Bay e suas explicações sem noção).
Quanto aos clichês, acho que o maior clichê do mundo é capaz de arrancar as maiores emoções do público, quando bem usado - vide a cena que Jake-humano diz "I see you" para Neytiri (nem sei se é assim que se escreve), e uma lágrima corre pelo rosto dela (que nem parece real porque é real). Muita gente não gostou, mas achei uma cena muito poética. Tipo, o amor dela não é pelo avatar de Jake, mas pela pessoa dele. Uma fala piegas numa cena clichê que rende muitas emoções e significados.
Bem, tem tanta coisa que não dá nem prá comentar tudo aqui...
Parabéns de novo e feliz 2010!!!!

[Pulga] Anderson Ferreira disse...

Eu estava quase imaginando que a última frase seria : Avatar é sem dúvidas superior a Guerra nas Estrelas. Iria te chamar de herege, mas ambos tem suas "medalhas". A paisagem, o cenário realmente estava como um lugar real. Jonathan, não tenho muita certeza sobre o que é CGI mas deve ser da imagem, dos efeitos certo? Então digo que os efeitos realmente fizeram Pandora parecer mais real que a própia Terra.

E Avatar não teve lá um elenco grandioso - o Washigton pelo terminator 4 e temos a Michelle (que é ótima - tanto com...). Mas acho que o final poderia ser algo mais inesperado. Acho que seria mais impactante, e seria mais inesperado se os humanos tivessem destruído a árvore divina deles - Ewlia ? - mas se isso tivesse ocorrido não seria possível o final.

Mas quero ver como será a continuação, já que será num local totalmente diferente. Espero que não seja uma grande m... mas é James Cameron, então só me resta aguardar (daria um ótimo post lol).

O Cara da Locadora disse...

Acho que assino embaixo em tudo o que você escreveu, rs... Uma análise crítica sem ser chata, conseguiu entender o objetivo do Cameron e principalmente, elencou um monte de coisa que se a gente num prestar atenção a gente perde... Excelente texto...

Amanda Aouad disse...

Nossa, quase uma tese sobre o filme, muito bom, você falou tudo e mais um pouquinho. Um filme para ficar na história.

P.S. Você não foi conferir a Terra Média no cinema? Uma pena mesmo.

Abraços

vanessa disse...

Sabe oq é mais legal em ver uma resenha pos filme?
é vc se identificar com a resenha com o cuidado em escrever...isso eu senti na sua resenha...deste o inicio,ate o final concordo 1000%

esta de parabéns..tua resenha virou Epic pra min add seu blog nos favoritos

Arthur Miller disse...

Sem dúvida é a melhor crítica sobre o filme que já li, concordo plenamente no que você escreveu e digo mais, vi seu link quando estava lendo a crítica no blog Melhores do Mundo e cai entre nós sua avaliação foi a melhor, pois acredito que não buscou referências em sites gringos ou mais acessados que "gostam" de meter o pau. Muito Bom! já estou seguindo seu site e espero o mesmo alto nível nas próximas críticas! Nota 10, ficou perfeito.

A Rebel disse...

Muito bom, Jonathan!!
Eu me emocionei bastante com o filme.

Éric disse...

Olha, realmente concordei em muita coisa da sua crítica, e acabo de assinar o primeiro blog do estilo como favorito.

Mas devo salientar que para mim, o fator decisivo, foi a sutileza e profundidade em que Cameron expressou cada personagem, e cada situação envolvendo cada um deles. (como por exemplo o ciúme do nerdzão q era avatar, logo que o mocinho se entrosa no mundo na'vi)

tudo isso junto com a estética do mundo, e o Belo mesmo, que foi representado no mundo e nos sentimentos dos personagens e sua relação (negativa e positiva).

um grande abraço e parabéns pelo blog

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